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Protocolo de Montreal no combate aos fluidos refrigerantes nocivos

  • 23 de outubro de 2013
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O Protocolo de Montreal é um tratado internacional que determina a redução de substâncias que destroem a camada de ozônio, que foi abordado, inicialmente, durante a Convenção de Viena de 1985. O tratado foi criado de fato dia 16 de setembro de 1987, em Montreal, e entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 1989. Mais de 150 países aderiram. Hoje, o Protocolo é seguido por 191 países.

O objetivo do tratado está ligado à indústria de climatização, devido aos gases contidos nos aparelhos de ar-condicionado e aos problemas que eles podem trazer, quando em contato com a natureza.

Desde a década de 30 os clorifluorcarbonetos foram empregados em geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e aerossóis. Apenas meio século depois os cientistas descobriram que a substância era altamente poluente e já havia afetado de forma significativa a camada de ozônio.

O Protocolo de Montreal foi muito bem sucedido, tanto que a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou dia 16 de setembro como o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio.

Para Kofi Annan, secretário-geral da ONU entre 1997 e 2007, “Talvez seja o mais bem sucedido acordo internacional de todos os tempos”.

CFC
Durante todo seu tempo de existência, o clorofluorcarbono (CFC) representou uma ameaça silenciosa à Terra. O gás foi criado em 1928, nos EUA, e logo fez sucesso na indústria, pois era versátil, barato e fácil de estocar. Passou a ser largamente empregado como gás refrigerante em geladeiras, aparelhos de ar-condicionado e propelentes de aerossol. E assim foi até a década de 1970, quando suspeitou-se que, ao escapar para a atmosfera, ele estava prejudicando a camada de ozônio.

Os poderes destas substâncias são tão notáveis, que já foram estudados em pesquisas científicas para a verificação de vida extraterrestre.

Protocolo de Montreal aplicado no Brasil
O Brasil aderiu ao Protocolo de Montreal em 1990, por meio do Decreto n.º 99.280 de 06/06/90, comprometendo-se a eliminar o CFC (clorofluorcarbono) completamente até 2010. Em 2010, o país conseguiu cumprir o compromisso de eliminação do CFC.

Segundo o ranking divulgado pela Divisão de Estatística das Nações Unidas, atualmente o Brasil é o quinto país que mais reduziu o consumo de CFCs após o Protocolo. Atrás de Rússia, Japão, Estados Unidos e China.

Extinção e o novo vilão
O clorofluorcarbono foi substituído pelos hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) com potencial 90% menor de agressão ao meio ambiente. O HCFC, então conhecido como o “CFC melhorado ecologicamente”, combina características físicas e químicas com alta eficiência volumétrica, e pode ser usado em aplicações civis de refrigeração. Dentre os hidroclorofluorcarbonos, um dos mais usados na climatização é o R-22, tanto em instalações residenciais, como comerciais.

No entanto, descobriu-se que os HCFCs agravam o efeito estufa, tendo um potencial de aquecimento global gigantesco. Os hidroclorofluorcarbonos passaram a ser a “bola da vez” e o gás deve ser extinto até 2040 em ações desenvolvidas pelo Programa Brasileiro de Eliminação de HCFCs, como a realizada nos supermercados do Brasil.

Programa Brasileiro de Eliminação de HCFCs
Através desse programa, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai coordenar, ao longo dos próximos anos, uma série de ações que visam a eliminação gradativa dos HCFCs da indústria brasileira.

O MMA vai investir em tecnologia para a substituição de equipamentos de 386 empresas fabricantes de espumas e também em capacitação de mão de obra para a manutenção de maquinário de refrigeração e sistemas de ar condicionado. Empresas multinacionais que atuam no Brasil deverão investir recursos próprios para bancar a sua própria conversão tecnológica. Os equipamentos antigos devem ser encaminhados para reciclagem, uma vez que não são considerados materiais contaminados ou perigosos.

Leia na íntegra as diretrizes do Programa Brasileiro de Eliminação de HCFCs.

Instrução Normativa 207
Com o passar dos anos, cada país criou sua regulamentação própria. Em 2008 foi a vez do Brasil realizar a Instrução Normativa 207, elaborada pelo IBAMA, que estabeleceu cotas de importação para HCFCs, entre 2009 e 2012, com limite reajustado ano a ano conforme o valor do PIB. Em 2013, as importações de HCFCs tiveram suas cotas congeladas com base na média do volume entre 2009 e 2012. Esse limite se manterá até 2015 e será reduzido gradualmente até 2040, prazo de eliminação total dos HCFCs.

Retrofit como alternativa
Uma aposta do mercado são os gases ecológicos, do grupo de HFCs (hidrofluorcarbonetos). Na climatização o HFC mais usado é o R410A, presente em diversos equipamentos, inclusive todos os modelos inverter. Estes gases ecológicos também podem ser adaptados no procedimento de retrofit, que é “colocar o antigo em forma”.

Dados importantes:
– Atualmente, o Brasil consome 1,3 mil toneladas de HCFCs por ano.
– 44,7% do consumo de HCFCs no setor de Serviços destina-se à manutenção de equipamentos de ar condicionado e 51,5% para equipamentos de refrigeração.

Existem outras razões sérias que provocam o alto índice de consumo de gases refrigerantes pelo setor de serviços, entre elas:
– má qualidade técnica e baixo padrão das práticas de manutenção e de conserto.
– falta de ferramentas adequadas para serviços de manutenção e conserto.
– baixa qualidade das instalações e ausência de manutenção preventiva e/ou regular.

Com a saída até 2040 dos HCFCs, a expectativa é de que mais fluidos alternativos façam companhia aos gases ecológicos no mercado. Qual a sua aposta para o futuro?

Texto criado exclusivamente pelo setor de jornalismo do portal
WebArCondicionado.

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