Atualizado em 01/11/2019 por Gabriela Giacomini
Redação do Portal WebArCondicionado
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Muito utilizados no setor de refrigeração e ar-condicionado, os fluidos refrigerantes – popularmente conhecidos como gases refrigerantes -, são extremamente prejudiciais ao meio ambiente se liberados ao ar livre. É por isso que o ideal é fazer o recolhimento, reciclagem e regeneração dessas substâncias.

Você sabia que grande parte dos gases refrigerantes liberados na atmosfera são procedentes de vazamentos em sistemas de ar condicionado e refrigeração? Ao realizar a manutenção, muito técnicos tem o mal hábito de abrir as válvulas do sistema e soltar o gás na atmosfera. Mas o correto é seguir as boas práticas e conhecer as técnicas de recolhimento e reutilização desses fluidos.

Vamos ver como funciona?

Centros de Regeneração – Ponto de recolhimento e reciclagem 

Os Centros de Regeneração são pontos de coleta, reciclagem e venda de gases refrigerantes. Eles foram criados em cumprimento às determinações do PNC (Plano Nacional de Eliminação de CFCs) – VEJA A SEGUIR!

As empresas que têm interesse em se tornar pontos de recolhimento e regeneração devem fazer solicitação de equipamentos junto ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) e precisam de licença ambiental.

Os Centros estão aptos a tratar fluidos como o R-12, R-22, R-134a, R-410A e misturas (blends) de CFCs e HCFCs.

Etapas da Reciclagem dos Gases Refrigerantes 

Recolhimento

O fluido refrigerante é recolhido através de máquinas e bolsas recolhedoras ao invés de ser eliminado ao ar livre. Conheça os tipos de coleta de acordo com a necessidade:

  • Recolhimento Passivo: Indicado para pequenas quantidades de fluidos. É realizado por meio da diferença de pressão entre o aparelhos e o equipamento de armazenagem do fluido.
  • Recolhimento Ativo: Indicado para aparelhos com grande carga de refrigerante. Esse método utiliza um equipamento externo que força a sucção do fluido do aparelho e o comprime (fase gasosa) em um cilindro pressurizado. Esse método garante 99% de eficiência.

Leia aqui:

 

Reciclagem/Regeneração

Após o recolhimento, os gases são encaminhados às estações de tratamento móveis, onde são reciclados e dão carga no sistema por meio de um único equipamento. A reciclagem não separa fluidos misturados.

Lá o material passa por um filtro onde são retiradas as impurezas do gás, como partículas, óleo, umidades, acidez e gases não condensáveis, completando o ciclo de regeneração.

Vale lembrar que o processo de regeneração é regulado pela Norma Internacional ARI-700, sendo feito apenas em centrais credenciadas pelo PNC, pois este é o procedimento mais elaborado do tratamento de fluidos refrigerantes contaminados, resultando em um grau de pureza considerado igual ao da substância “virgem”.

Reutilização

Depois de regenerado, o gás poderá ser novamente utilizado, diminuindo a demanda por fluidos novos. Para receber a titulação de “regenerado”, o fluido refrigerante precisa passar por teste laboratorial para atingir um nível de pureza de 99,8%, mesmo nível de um fluido novinho em folha, conforme citamos acima.

Ainda existem equipamentos em uso que utilizam CFCs, como geladeiras e aparelhos de ar condicionado antigos. Por isso é tão importante o reaproveitamento desses gases refrigerantes.

Mais motivos para reciclar Gases refrigerantes

Além de diminuir os impactos ambientais por reduzir os vazamentos durante a manutenção do equipamento, após a regeneração a substância pode ser vendida por um valor até 20% mais barato.

Dessa forma, o recolhimento também traz benefícios econômicos, por permitir a reutilização desses gases e evitar o desperdício.

Planos ambientais

Para evitar o despejo demasiado desses fluidos ao ar livre, seja propositalmente ou não, o Brasil há anos tem adotado uma série de medidas voltadas à eliminação gradativa do consumo de CFCs e HCFCs (clorofluorcarbonetos e hidrofluorcarbonetos, respectivamente), que incluem os gases refrigerantes, como comentamos anteriormente.

A ideia é estimular a capacitação de técnicos e a reciclagem dos fluidos. Essas medidas fazem parte tanto do PNC (Plano Nacional de Eliminação de CFCs) quanto do PBH (Programa Brasileiro de Eliminação de HCFCs).

Conheça a proposta específica de cada um:

Plano Nacional de Eliminação de CFCs – PNC

Os CFCs (clorofluorcarbonos) são extremamente prejudiciais à camada de ozônio – que tem a função de proteger a Terra da incidência direta dos raios ultravioleta nocivos ao meio ambiente e à saúde humana.

Em 2010, o Brasil conseguiu cumprir o compromisso de eliminação dos CFCs. Desde então a produção e importação dos CFCs é zero no país.

Leia aqui o Catálogo sobre Recolhimento, Reciclagem e Regeneração de Fluidos Refrigerantes publicado pelo Ministério do Meio Ambiente.

Programa Brasileiro de Eliminação de HCFCs – PBH

Em resumo, o PBH é a complementação do PNC. Se antes, com o PNC, a preocupação era com a camada de ozônio, agora a preocupação também abrange o aquecimento global e, nesse aspecto, os HCFCs são um dos responsáveis por esse fenômeno.

Ou seja, ainda não existe no mercado um fluido refrigerante 100% limpo, que cause zero danos ao meio ambiente.

Todos os países signatários do Protocolo de Montreal comprometeram-se a cumprir um novo cronograma de eliminação dos HCFCs, que deve ser extinto até 2040.

Dados importantes – Consumo / Eliminação de Fluidos Refrigerantes

  • De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, o Brasil tem o compromisso de reduzir em 39,3% o consumo dos hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) até o ano de 2020.
  • Por enquanto esse consumo já caiu 37,5% em relação à linha de base, que é de 1.327 toneladas PDO/ano (Potencial de Destruição do Ozônio), equivalente à média dos anos 2009 e 2010.
  • Foram eliminadas 501,04 toneladas no total.

Existem outras razões sérias que provocam o alto índice de consumo de gases refrigerantes pelo setor de serviços, entre elas:

  • Má qualidade técnica e baixo padrão das práticas de manutenção e de conserto.
  • Falta de ferramentas adequadas para serviços de manutenção e conserto.
  • Baixa qualidade das instalações e ausência de manutenção preventiva e/ou regular.