Por Yuri Correa,
Redação do Portal WebArCondicionado

Foto: Christian Aslund – Divulgação do Greenpeace

A pauta do meio ambiente está em alta. Temos falado muito sobre as queimadas na Amazônia e a jovem ativista Greta Thunberg fez barulho essa semana com seu discurso nas Nações Unidas. Em meio a toda essa atenção, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que é um órgão ligado à ONU, aproveitou para divulgar seu segundo relatório de 2019, agora se focando nos níveis dos oceanos e na criosfera (o sistema formado por geleiras e demais formas de água congelada na superfície do planeta). O resultado é preocupante. 

Os oceanos vão subir, e esse não é o pior dos problemas

O resumo é o seguinte: depois de analisar estudos publicados até maio de 2019, o IPCC concluiu que até 2100 o nível dos oceanos deve subir em até um metro de altura – devido ao derretimento das calotas polares. Na prática, isso significa ter que tirar milhões de pessoas de áreas costeiras e evacuar ilhas por completo.

E esse é apenas o problema mais visível para a população geral. Ainda há, por exemplo, a conclusão de que, se nada for feito sobre o Aquecimento Global, as temperaturas dos oceanos vão aumentar também, e com isso, a água vai ficar mais ácida.

Danos que já são irreversíveis 

Essa última parte chama especial atenção porque interfere diretamente no ecossistema marinho. Por exemplo, embora o IPCC tenha definido que a temperatura dos oceanos vai aumentar somente 1,5ºC nos próximos 80 anos, ele também definiu que, no estado em que estamos hoje, os recifes de coral já estão condenados, e junto com eles, 90% de todas as espécies que precisam desses habitats para sobreviver.

A mudança nas temperaturas oceânicas mexe também com as massas de ar. O alerta é de que as temperaturas devem variar entre 3ºC e 4ºC e que ciclones e tempestades tropicais se tornem cada vez mais frequentes por causa disso.

Degelo agrava emissão de carbono 

O relatório do IPCC, porém, não abordou somente os oceanos, mas também as calotas polares e as áreas de solo congelado nas montanhas. Os chamados permafrost, que são esses pedaços de solo que ficam congelados o ano inteiro, tem diminuído consistentemente todos os anos, segundo análises de imagens de calor feitas por satélites. 

O problema desse degelo do solo é a liberação de gases do efeito estufa. Segundo o relatório, serão liberados mais de 1,5 gigatoneladas de carbono caso ocorra total descongelamento do permafrost. Para se ter uma ideia, isso é mais do que o dobro da quantidade já bem preocupante de carbono que existe hoje na atmosfera.

E um detalhe importante: uma vez que o permafrost descongela, ele não volta a congelar, justamente porque a ausência de gelo permite que o solo fique aquecido e não volte ao estado de congelamento. 

Além de tudo isso, os oceanos e a criosfera, somados, cobrem mais ou menos 80% de toda a superfície terrestre. Uma de suas funções é preservar a emissão de gases do Efeito Estufa na atmosfera e, portanto, sua preservação é essencial não só por conta de todas mudanças climáticas e ambientais citadas acima, mas porque essa água toda funciona como um filtro.

O IPCC deve lançar ainda mais um relatório em 2019. Este sobre os oceanos e a criosfera foi concebido a partir da análise de estudos de mais de 100 cientistas de mais de 30 países pelo mundo.