marco-botta-colunistaPor Marco Antonio Garcia Botta*

 

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Há aproximadamente dois anos, especificamente em 14 de outubro de 2016, publiquei no Linkedin minha percepção sobre um desafio da época: mão de obra na área de HVAC. Logo que entrei neste mundo percebi que a grande dificuldade da empresa pela qual eu atuava não estava na ferramenta adequada, no carro mais novo, nos equipamentos de EPI ou EPC ou em salários maiores, e sim no comprometimento desses profissionais com sua qualificação profissional.

Acrescido a isto, muitos dos contratos pelos quais foram fechados na empresa em que tive a oportunidade de participar permitiram que eu vislumbrasse que a grande preocupação dos clientes era com o consumo de energia e gastos com manutenção, deixando de lado qual mão de obra seria aplicada no serviço.

Entendo que a eficiência energética encontra um forte concorrente, A MÃO DE OBRA DESQUALIFICADA OU DESMOTIVADA. A busca pela eficiência energética, seja do ponto de vista operacional, econômico ou ambiental, se torna uma questão de sobrevivência frente a um mundo cada vez mais competitivo. O desafio pelas buscas constantes por energias renováveis faz com que o termo eficiência energética encabece o que há de mais moderno dentro das indústrias, comércios e residências, e com isto, fabricantes de equipamentos de HVAC incluam em seus equipamentos itens como variadores de frequência, soft starter, entre outros que permitam as instalações serem consideradas eficientes frente à demanda de consumo de energia elétrica.

Na teoria e na prática

Esse tema é tão amplo e estudado que João José Barroso, em sua Dissertação apresentada à faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, cita que “Tendo em conta a dimensão, complexidade e sofisticação que as instalações técnicas dos sistemas HVAC-R vêm assumindo e ainda o valor dos investimentos e dos custos de exploração associados, facilmente se compreende que a manutenção assume um papel fundamental, quer como estratégia válida e encaminhada para manter uma disponibilidade tão elevada quanto possível dos equipamentos, quer como estratégia para reduzir os custos energéticos de operação e preservar a qualidade do ar”.

Nossa realidade está ligada à mão de obra desqualificada ou desmotivada e isto pode se traduzir em Reconhecimento da mão de obra qualificada em Sistemas HVAC.

O Cenário do mercado de trabalho dos profissionais de Climatização

Em nosso mercado atual é normal nos depararmos com profissionais desmotivados pelas baixas remunerações ou falta de reconhecimento profissional, afetando diretamente a eficiência energética de equipamentos e/ou plantas de refrigeração inteiras, uma vez que as devidas manutenções preditivas e preventivas não são corretamente efetuadas.

Temos um vasto leque de instituições de ensino com cursos profissionalizantes, técnicos e de pós-graduação dispostas a ensinar a teoria e prática desse mercado, a exemplo o SENAI do Ipiranga São Paulo, SENAI CIMATEC Bahia, FEI de São Paulo, escola FAPRO do Paraná, escola ARGOS, etc, Entretanto, não vejo disposição de alguns profissionais em aprender e mesmo os que aprofundam seu conhecimento nesta área não recebem o devido valor das empresas prestadoras de serviço causando desmotivação.

Após a formação efetuada pelo profissional ele se depara com um mercado prostituído, encarando ofertas de empregos vergonhosas de serem publicadas onde as empresas solicitam formação na área, experiência mínima com equipamentos de pequeno e grande porte e disponibilidade para viagens entre outras diversas solicitações, tendo como resultado uma remuneração nada compatível com as exigências ou ao menos com um profissional que investiu para se qualificar nesta função.

Qualificação e Reconhecimento devem caminhar juntos

Existem ótimos profissionais no mercado que acabam por desistir da carreira de refrigeração/climatização pela falta de oportunidades na altura de sua formação e conhecimento e com isto, nosso mercado fica prostituído com profissionais desqualificados ou que mesmo após se qualificarem, mantém a mesma forma de trabalho anterior ao conhecimento adquirido por comodidade ou devido a empresa não ser participativa desta evolução.

Complicando ainda mais esse tema, como citado acima, nosso mercado prostituído está cheio de técnicos de formação, mas com conhecimento de ajudante. Por outro lado, muitos dos excelentes profissionais existentes aceitam baixas remunerações devido a procura e oferta atual, ou seja, temos poucas vagas e muita procura. Outro lado da moeda são os gestores/ clientes, enquanto eles aplicarem a lei de “Gerson”, onde querem obter vantagens pagando pouco, sem se importar com questões éticas ou morais assim como o resultado final qualificado nada mudará.

Por fim, em minha opinião, nosso mercado tem várias alternativas para ser um dos melhores para se trabalhar, entretanto, é necessário que as associações, sindicatos e entidades ligadas à nossa área atuem de forma a mudar este cenário, caso contrário continuaremos a ter um número reduzido ou praticamente nulo de profissionais qualificados e teremos um mercado de aventureiros.

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* Lembramos que esse texto é de autoria do nosso colunista do dia. Respeitamos qualquer tipo de opinião, pensamento ou consideração sobre o assunto abordado. 

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