O corpo humano é uma máquina fascinante! É o que há de mais inovador e moderno em tecnologia evolutiva. Milhões de anos de aperfeiçoamento nos trouxeram até o modo como os nossos corpos funcionam hoje e, como não poderia deixar de ser, a temperatura corporal é um dos mecanismos mais aprimorados que a espécie humana desenvolveu nessa jornada.

Hoje nós vamos entender um pouquinho sobre como o corpo humano regula e mantém sua temperatura, quais as variações normais e anormais que podem ocorrer e suas principais causas. Por que temos febre e qual o máximo e o mínimo de calor que conseguimos suportar? A seguir iremos esclarecer um pouquinho sobre cada uma dessas questões! Vamos lá?

O que controla a temperatura do corpo humano?

Existe uma parte do nosso cérebro chamada de hipotálamo, ela é a responsável por controlar a temperatura do corpo humano, como se fosse um termostato biológico. Na verdade, o hipotálamo é um grande regulador de homeostase, isso é, ele tem uma grande responsabilidade na tarefa de ajustar o corpo às condições externas – se tá frio, se tá calor, se é dia, se é noite.

Entre outras funções dessa área do nosso cérebro, está a controle do metabolismo, da fome, da sede e dos ciclos circadianos, ou seja, da programação geral durante o dia. Pense no seu corpo como um festival de bandas, pois nesse cenário, o hipotálamo seria o cara responsável por organizar a grade de eventos, quem vai tocar o que e em qual horário.

Hipotálamo, região do cérebro que controla a nossa temperatura corporal

Controlando a temperatura

Logo, um dos modos que o hipotálamo tem de fazer esse controle é baixando e aumentando a temperatura corporal. O calor do nosso corpo é produzido como resultado do trabalho das células, especialmente as do coração, dos músculos, do cérebro e do fígado, e é distribuído para os outros tecidos através do sangue.

Qual a nossa temperatura normal?

A temperatura interna normal do corpo humano fica entre os 36ºC e os 37ºC, podendo variar até 0,6ºC para mais ou menos. Muito mais alto que isso e o corpo sofre com a hipertermia (alta temperatura), muito mais baixo e o problema é a hipotermia (baixa temperatura).

Tanto o hipotálamo, quanto fatores externos podem fazer com que a temperatura interna do nosso corpo aumente ou fique baixa demais. Vamos ver agora algumas variações naturais de temperatura.

 

Exercícios e ciclos menstruais

Quando nos exercitamos, é normal que exista um excesso de trabalho por parte das células dos órgãos citados acima (coração, cérebro, fígado, músculos), logo, existe também uma produção bem maior de calor. O comum é que, nesses casos, a temperatura corporal aumente em até 3ºC e fique assim por um curto período (no máximo algumas horas) após o esforço físico.

O hipotálamo compensa isso liberando suor e dilatando veias, para dispersar o calor com mais agilidade.

Já as mulheres ainda passam por alguns processos diferentes de temperatura devido ao ciclo menstrual. É comum, por exemplo, que no período pré-ovulatório, a temperatura do corpo feminino baixe até 0,5ºC, e aumente nessa mesma quantidade durante a ovulação e na segunda metade do ciclo.

Ciclo de temperatura corporal durante o dia

Outra coisa que interfere na nossa temperatura corporal é o passar do dia. Sim, dependendo da hora do dia, nosso corpo produz mais ou menos calor. Durante o sono, o hipotálamo desativa uma parte do metabolismo, e isso diminui bastante a temperatura interna do corpo, que fica ali pela mínima suportável, os 36ºC.

Quando acordamos, o corpo vai reativando o metabolismo conforme as exigências.

Se você é do tipo que faz exercícios pela manhã, seu corpo deve restaurar a normalidade logo cedo. Se não, o mais comum é que a temperatura corporal interna fique normalizada no meio do dia e chegue à máxima (ali pelos 37ºC) no começo da noite, logo antes de dormir.

Ciclo de temperatura durante as estações do ano

Sim, é isso aí, as estações do ano também afetam a sua temperatura corporal. Meio óbvio, não é? Mas não deve ser como você está pensando. Talvez seja comum imaginar que, no inverno e no frio, o corpo todo fique mais quente para se proteger, enquanto no verão e no calor, aconteça o contrário. Porém, não é bem assim.

No inverno, o hipotálamo escolhe algumas regiões do corpo para onde direcionar o calor com maior prioridade. Por exemplo, no inverno é comum que a região da nossa garganta fique bem mais aquecida do que as pernas. Já no verão, a tendência é distribuir o calor para não sobrecarregar nenhuma área do corpo, levando em conta que a temperatura externa já é um agravante para isso.

Então, quanto está fazendo um clima mais quente, o hipotálamo costuma jogar o calor para as extremidades.

Fatores externos de temperatura

Vamos falar mais um pouco disso no final da postagem, quando discutimos os extremos de temperatura suportados pelo corpo humano. Entretanto, existem fatores externos comuns ao dia a dia que, sim, afetam diretamente a sua temperatura interna. O sol, claro, é um deles.

Ficar exposto ao sol aquece a sua pele, o seu sangue e, logo, o corpo como um todo. Ficar no sol durante a hora da digestão, por exemplo, não é uma boa ideia, pois durante esse processo o corpo já fica bem quente – especialmente se você comeu muitas proteínas, que liberam bastante calor no processo digestivo.

Vento, água, umidade e falta de agasalho também são fatores externos que podem ajudar ou dificultar o controle de temperatura feito pelo hipotálamo. Lembre-se, essa partezinha do nosso cérebro é especialista nessa área, passou milhões de anos aprendendo a fazer o seu trabalho, mas nem ela consegue regular o corpo rápido o suficiente se você não se cuidar.

E falando em cuidados, vamos te contar agora o que acontece com a sua temperatura quando o seu corpo fica doente.

Febre e reações de defesa

A febre é uma reação do corpo aos agentes estranhos, ou seja, vírus e bactérias, normalmente. Quando seu corpo identifica alguma coisa esquisita ou fazendo mal a ele, é ativado o sistema imunológico.

Quem ajuda nisso é o nosso amigo hipotálamo, que aumenta a temperatura interna, e ele faz isso por três motivos: primeiro, para criar um ambiente hostil aos invasores, e segundo, ele também aumenta o metabolismo para acelerar o combate aos mesmos. E por último, para avisar o dono do corpo que tem algo errado, não é?

Lembrando que vírus e bactérias não são a única coisa que causam febre, tumores, alergias e outras condições podem despertar a mesma reação do hipotálamo, só que aí nesses casos existem outros sintomas piores que surgem antes. A febre é só mais um deles.

Em uma febre “normal”, a temperatura do corpo sobe para uns 39ºC e vai diminuindo conforme a ameaça é combatida. É incomum, mas a febre pode sim atingir temperaturas acima dos 40ºC em quadros muito graves, nos quais, normalmente, só o corpo sozinho não consegue se curar e necessita de intervenções médicas.

A uma temperatura de 42ºC, normalmente acontecem convulsões e existe um alto risco de morte – e existem condições, como a febre tifóide ou a malária, que fazem o hipotálamo perder o controle da temperatura corporal e atingir essa máxima.

Sim, nossa temperatura interna é tão bem regulada que, apenas 5ºC acima da normalidade é tudo que o corpo humano suporta. Mas vamos falar mais sobre os extremos da temperatura corporal nessa última parte.

Hipertermia: altas temperaturas corporais

O nome dado a elevação da temperatura corporal é “hipertermia”. O máximo suportado pelo corpo humano é uma temperatura interna de 43ºC, quando normalmente a morte já é quase inevitável.

Como explicamos antes, o corpo pode subir a próprio temperatura sozinho, vertiginosamente, se julgar necessário combater alguma infecção ou agentes estranhos. Os sintomas costumam envolver sudorese, espasmos e dilatação das veias.

Reações comuns de hipertermia

38ºC – 39ºC: Suor, espasmos musculares, diminuição do pulso e tontura são sintomas comuns desse tipo dessa faixa de temperatura.

40ºC: Aqui que começa, de fato, a hipertermia. Nessa faixa de temperatura acontece a desidratação, náuseas, vômitos, tontura muito forte, alucinações e até perda de consciência. Talvez não aconteça aqui o suor, por causa da desidratação.

41ºC – 42ºC: O metabolismo entra em colapso, as proteínas literalmente cozinham dentro do seu corpo, seus órgãos podem parar de funcionar e existe alto risco de coma e morte.

Hipotermia: baixas temperaturas corporais

O nome dado à diminuição da temperatura corporal é “hipotermia”. Com 35°C o corpo humano já reage violentamente à perda de calor, com tremedeiras e arrepios que tentam aumentar o estresse nos tecidos e, assim, produzir mais calor.

Menos do que isso e o hipotálamo começa a priorizar os órgãos vitais e levar o calor das extremidades para o tronco, pescoço e cabeça. Próximo dos 20ºC acontece uma parada cardíaca praticamente irreversível.

Reações comuns de hipotermia

35ºC: Aqui começa a hipotermia. O corpo reage com calafrios, apatia e até com a perda de habilidades de coordenação motora. O raciocínio é afetado e pode haver sonolência.

35ºC – 30ºC: Logo abaixo dos 35ºC começam as tremedeiras e os espasmos musculares. mas depois disso, o fluxo de sangue para o cérebro diminui bastante, a pessoa sofre com a confusão mental, alucinações e incapacidade de raciocínio. Próximo dos 30ºC, há perda de consciência e o coração pode chegar a apenas um ou dois batimentos por minuto, estado no qual a pessoa parece estar morta.

20ºC: O metabolismo entra em colapso, não há mais temperatura suficiente para distribuir entre todos os órgãos vitais, então muitos deles já devem estar desativados nessa altura. Há parada cardíaca e é quase impossível reverter esse quadro.

O que pode levar o corpo aos extremos de temperatura?

Exposição ao sol muito forte, especialmente em climas úmidos, que dificultam a dispersão de calor através do suor, são agentes perigosos da hipertermia. Comer demais e se expor a ambientes muito quentes, ainda mais se a digestão envolve proteínas, é outra situação de risco.

A falta de proteção, como casacos, costuma ser o principal fator para a ocorrência de hipotermia. Contato com a água e o vento, que promovem a troca de calor, também são agentes poderosos na retirada de temperatura do corpo. Um dia frio é hostil ao corpo humano, mas um dia frio e com vento é bem mais – e se estiver chovendo ainda por cima, só piora o caso.

Por incrível que pareça, isso aqui é um RESUMO de tudo que você precisa saber sobre temperatura corporal, como ela funciona e o que você pode fazer para se cuidar. Ficou alguma dúvida? Deixa aqui nos comentários e vamos conversar mais!

Redação do Portal WebArCondicionado