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Conforto térmico individualizado: a saída para quem trabalha em ambientes coletivos

  • 16 de fevereiro de 2013
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Conforto térmico individualizadoÉ comprovado que o conforto térmico é um dos fatores mais importantes atribuídos ao desempenho e bem estar de quem trabalha em um ambiente fechado. Embora os edifícios de escritórios possuam sistema de climatização que atendem às normas estabelecidas pela ABNT, existe uma pequena parcela de funcionários que, por algum motivo, ficam insatisfeitos com a temperatura no ambiente. É nesta hora que o ar condicionado vira motivo para discórdia, gerando conflitos e que atrapalham a produção.

A maioria dos edifícios comerciais possui dezenas de usuários e aparelhos eletrônicos, ou seja, diversas fontes de calor para o ambiente, demandando altas cargas térmicas. Por isso o consumo de energia elétrica deste tipo de construção se dá graças ao sistema de climatização, que varia de 40% a 60%.

Conforto

O padrão de conforto adotado pela ASHRAE, instituto referência em HVAC, define uma zona de conforto determinada pela combinação de fatores físicos e pessoais. Os físicos estão relacionados à temperatura, velocidade e umidade do ar. Já a vestimenta, nível de atividade, cor da pele, e metabolismo do usuário se relacionam aos fatores pessoais. Desta forma, mesmo que a temperatura no ambiente esteja na considerada ideal (cerca de 23ºC), algumas pessoas podem sentir calor enquanto outras podem sentir frio.

Ar insuflado

Insuflamento do pisoMas afinal, existe alguma forma de garantir 100% de satisfação dentro dos escritórios? Para os pesquisadores existe um sistema que pode ser ideal para escritórios e prédios públicos. É o sistema de ar condicionado com insuflamento pelo piso, que distribui o ar refrigerado para cada ambiente de acordo com as capacidades de cada usuário.

Este sistema é composto por uma câmara de ar frio, constituída por um vão entre um piso elevado e a laje de concreto do pavimento. Ela é suprida por uma unidade primária de tratamento do ar (feita pelo uso de serpentina de resfriamento e de um aparelho fan coil) aliada a unidades terminais (os difusores), responsáveis por distribuir o ar no ambiente.

insuflamentoO volume de ar desta tecnologia pode ser constante (VAC) ou variável (VAV), dependendo do uso de variador de freqüência no ventilador. Inicialmente o ar é insuflado no piso inferior para então ser distribuído no espaço através dos difusores, pelos quais os usuários utilizam para selecionar a temperatura adequada, que é instalado nas placas piso elevado. A partir deste controle individual surgem as chamadas estações de trabalho.

Depois de entrar em contato com os dissipadores de ar (neste caso pessoas e computadores), o ar refrigerado entra em contato com o ar quente, ocorrendo a troca térmica. Depois de aquecido, esse ar sobe e entra em um duto superior, sendo grande parte reaproveitada, enquanto a outra é direcionada para fora do ambiente. O que retorna é resfriado até a temperatura ideal e insuflado novamente, reiniciando então o ciclo do ar.

Benefícios

UFADEm relação à distribuição do ar frio, o insuflamento pelo piso possibilita uma distribuição consideravelmente melhor que a maioria dos sistemas utilizados, podendo variar de 18ºC a 22ºC. Ao permitir o controle individual da vazão e da temperatura do ar, o usuário alcança o conforto térmico desejado e consegue, desta forma, manter seu bem estar e produzir ainda mais. É a disposição dos móveis que determina se a pessoa receberá diretamente ou não o ar frio.

Em relação aos custos, esse sistema pode servir como alternativa tanto para edificações antigas que passarão por modificações quanto para as novas. Isto se deve ao fato de não necessitar de uma passagem para dutos de ar no forro, o que reduz a altura das novas edificações e não necessita de instalações para os ambientes reformulados.

Eficiência energética

A saída para quem trabalha em ambientes coletivosPesquisas mostram que o sistema pode reduzir para aproximadamente 34% o consumo de energia das edificações. Isto se deve a dois fatos. O primeiro é graças ao ar resfriado ser condicionado para apenas uma área de ocupação. Desta maneira, os ganhos de calor por convecção, que acontecem acima da zona de ocupação, acabam isolados do cálculo da vazão do ar requerida para a manutenção do conforto térmico dos usuários.

Outro ponto determinante é em relação às temperaturas do ar insuflado. Enquanto os sistemas de distribuição de ar feitos pelo teto têm temperatura de 13º, as do piso são mais altas, variando de 16º a 20ºc. Assim, as solicitações dos equipamentos acabam sendo minimizadas, pois as temperaturas direcionadas ao espaço estão mais próximas das temperaturas de conforto.

Desafios

Mas afinal, por que esse sistema não é tão utilizado? O condicionamento individual não é uma ideia recente: foi criada há mais de 40 anos, mas até o fim da década de 90 era limitada a centros de processamento de dados nos Estados Unidos, Alemanha, Japão entre outros. Até que, devido a potencial eficiência energética passasse a estimular o desenvolvimento de pesquisas científicas.

E é justamente a falta de informações detalhadas que mostrem de fato a eficiência do ar condicionado insuflado pelo piso que impedem o maior número de edificações com o sistema.  Mas, como o número de edificações sustentáveis vem crescendo em todo o mundo, os pesquisadores acreditam que, com o passar do tempo, ele possa ser adotado em mais escritórios. Desta forma, não só o impacto ambiental será menor, e ainda cessar as discussões sobre qual temperatura ideal do ar condicionado.

Texto criado exclusivamente pelo setor de jornalismo do portal WebArCondicionado. Com informações do Departamento de Engenharia da Construção Civil da Universidade de são Paulo.

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