Por Julio Molinari, presidente da Danfoss na América Latina

economia mundial Covid-19

Imagem: Reprodução Danfoss

A economia mundial entrou em crise sanitária devido à pandemia provocada pelo COVID-19. Além do impacto econômico e social, há outra preocupação relevante no aspecto ambiental: o aumento da emissão de dióxido de carbono. É o que alerta a Agência Internacional de Energia (AIE), que aponta que as emissões globais devem aumentar em 5% em 2021, registrando, assim, o segundo maior aumento da história. Esse aumento de cerca de 1,5 bilhões de toneladas é impulsionado pelo ressurgimento do uso de carvão no setor de energia e resultará em um volume total de quase 33 bilhões de toneladas.

Isso só não acontecerá se governos, empresas e a sociedade em todo o mundo agirem. A hora é de reaquecer a economia e achatar a curva das emissões. Historicamente, o período pós-crise mundial abre espaço para novas oportunidades. Refiro-me, por exemplo, a consolidar a cooperação internacional, fazer acordos de paz e reestruturar os sistemas financeiros.

Globalmente, a Danfoss lançou um desafio denominado de Green Restart, que aponta caminhos para acelerar o ritmo de recuperação econômica e gerar crescimento sustentável, projetando um futuro cada vez mais descarbonizado. E não precisamos ‘inventar a roda’. Basta que empresas e governos façam a sua parte e adotem soluções já disponíveis.

Gostaria de jogar luz à discussão tendo como exemplo três setores importantes da economia que são tradicionalmente grandes emissores de carbono, mas que, ao mesmo tempo, podem ser impulsionadores da recuperação econômica: transporte, edifícios comerciais e a indústria.

O setor de transporte é responsável por um quarto das emissões globais de carbono. Para cumprir a meta climática de 1,5ºC, estabelecida no Acordo de Paris, precisamos reduzir o total emitido por este setor em 28%. Como alcançar esse objetivo? Um dos caminhos já testados e comprovados é acelerar a eletrificação dos nossos ônibus, carros, caminhões, balsas e embarcações. Para incrementar a adoção destes veículos elétricos, as cidades necessitam de infraestrutura inteligente alimentada por energia verde, desde estações de carregamento nas ruas a construções de unidades auxiliares de energia em diversos pontos. Estudos indicam que investir em mobilidade elétrica, além de reduzir as emissões, também estimulará a economia e criará 1 milhão de empregos até 2030 na Europa.

Outro setor altamente relevante é o de edifícios comerciais, que são responsáveis por 40% do uso global de energia e cerca de metade das emissões em toda uma cidade, o que os torna um ponto de partida crucial na retomada verde. Esse setor em especial precisaria reduzir suas emissões em 33% para chegar à meta do Acordo de Paris.

Uma das formas mais econômicas de reduzir o uso de energia de construções já existentes, por exemplo, é por meio do retrofit e a consequente otimização de sistemas de ventilação, ar condicionado e aquecimento. Os modernos sistemas de HVAC geram comprovadamente redução de até 30% do consumo de energia. Fazer com que as construções tenham eficiência energética, além de estimular a economia, pode gerar empregos. Estudos indicam que para cada 1 mil euros investidos em eficiência energética, 18 novos postos de trabalho são criados.

Por fim, mas não menos importante, trago o exemplo da indústria de uma forma geral. Esse setor é responsável por 20% do total das emissões de gases de efeito estufa. É mais do que necessário repensar a produção para otimizar os recursos de energia, como usar a força motriz inteligente para otimizar as velocidades dos motores elétricos, a fim de reduzir o uso de energia. Estima-se em 8% a redução do consumo de energia até 2040 com a adoção em larga escala de motores controlados por drives, ao mesmo tempo em que soluções digitais aumentam o tempo de produtividade ao prever as necessidades de manutenção e reduzem o uso de energia.

O momento é agora para fazer da retomada econômica um verdadeiro ‘Green Restart’. Para descarbonizar os setores de edifícios, indústria e transporte, precisamos fazer da eficiência energética, eletrificação e integração destes mercados as nossas prioridades.

Com informações Danfoss

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