Por Carolina Esteves com Referências: GBC Brasil – Guia de Certificação Condomínios 2017

 

Estamos neste planeta. Vivemos vários anos por aqui, consumindo o que a terra é capaz de produzir.

Você já pensou que cada escolha que fazemos traz um impacto no meio ambiente desde a sua produção, passando pelo consumo e indo até muito além do futuro das próximas gerações?

Tudo o que consumimos gastou uma parte do planeta. Isso mesmo. Matérias primas, água, natureza, pessoas. E o que gerou de resíduos e de poluição para serem feitos? Além do produto em si, tem ainda as embalagens, o transporte, as pessoas. Compramos, consumimos e o que sobra disto? Resíduos. Lixo. Poluição. Que podem permanecer aqui por várias gerações?

Tudo o que consumimos gera algum impacto. Nós geramos um grande impacto sobre o planeta, sobre o meio ambiente.

É preciso mudar a forma que consumimos? Sim. Mas não é preciso mudar tudo o que fazemos de uma hora pra outra. São hábitos enraizados, que todos nós temos e é difícil mudar. Primeiro é necessário ter consciência para que aos poucos possamos ir ajustando a maneira como consumimos. Posso afirmar que o que o planeta precisa é de muitas pessoas começando a fazer escolhas mais conscientes, uma por dia, e não apenas de algumas poucas pessoas sendo 100% sustentáveis. Juntos somos muito mais fortes.

Todos nós somos responsáveis pelo lixo que produzimos. Um canudo, um copo, até uma roupa que compramos mas não precisamos. A pergunta que devemos fazer antes de comprar ou consumir algo é: eu preciso mesmo disso?

Tente! Tenho certeza que você consegue. Se cada um de nós fizer um pouquinho, vamos juntos ajudar a cuidar deste planeta que tanto nos dá. Tanta vida, tanta beleza. A natureza tão perfeita, os alimentos, a água e o ar. Devemos isso para este grande lar que habitamos.

E por falar em lar… que tal pensar sobre a nossa casa, sobre os locais que construímos e habitamos? Os ambientes construídos possuem um grande impacto no meio ambiente, na economia, na saúde e no bem estar dos ocupantes.

Na hora de construir e reformar podemos e devemos fazer escolhas que, além de “economizar” o planeta, ajudem a preservar a nossa saúde. Sim, os ambientes podem promover a saúde dos ocupantes ou prejudicar. Talvez você não saiba, mas os ambientes internos podem fazer as pessoas ficarem doentes e é urgente conhecer e falar sobre isto!

Vamos começar então com o ar que respiramos nos ambientes internos. As escolhas que fazemos na hora de construir, decorar e mobiliar um ambiente podem deixar o ar que respiramos contaminado. O dióxido de carbono, os compostos orgânicos voláteis (presente nas tintas, colas, vernizes, adesivos), entre outros contaminantes que poluem o ar interno, podem causar lesões, desconforto e mal estar nos ocupantes.

Segundo o GBC Brasil, uma organização não governamental que fomenta a construção sustentável no nosso país, devemos fazer algumas escolhas dando atenção para o seguinte:

1- Controlar e monitorar as emissões de gases de combustão tóxicos, como monóxido e dióxido de carbono, dentro dos ambientes internos, pois pode causar a baixa qualidade do ar interno e impacto negativo na saúde humana. Os equipamentos que possuem processo de combustão como fogão, forno a gás, lareiras, fogão a lenha, churrasqueira, sistema de aquecimento de água e geradores de energia. Nestes caso deve-se utilizar equipamentos de combustão em câmera fechada, possuir exaustão mecanizada ou ainda sensores de CO (monóxido de carbono).

2- Proteger os ocupantes dos poluentes provenientes da garagem é muito importante para garantir a qualidade do ar interno. É preciso vedar as aberturas, pisos e forros conectados e quando for necessário instalar exaustores e detectores de monóxido de carbono.

3- Evitar o uso de materiais que contenham em sua formulação elementos contaminantes ou tóxicos, tais como ureia formaldeído e compostos orgânicos voláteis, é essencial para garantir a saúde e bem estar dos ocupantes e do meio ambiente. A exposição a esse tipo de material pode causar dor de cabeça, alergias, irritação dos olhos, nariz e garganta, falta de ar, fadiga, tontura e falta de memória. Durante longos períodos de exposição podem causar danos no fígado e ao sistema nervoso central. Para evitar isto é preciso ter os seguintes cuidados:

– Quando for utilizar compensados de madeira ou produtos confeccionados com fibras agrícolas, observe os limites de ureia formaldeído, que devem ser de baixa emissão, ou seja, possuir no máximo 8mg de formol a cada 100g de painel.

– Quando for utilizar tintas, vernizes, adesivos e selantes, observe o teor de COV – compostos orgânicos voláteis, que deverá estar dentro dos limites indicados na tabela abaixo:

 

Nem sempre estas informações são fáceis de encontrar. É preciso questionar, ir atrás das informações e dar preferência pra os produtos que informam claramente, pois é como podemos fomentar maior transparência das informações dos fabricantes para os usuários finais.

Se precisar de ajuda para fazer estas escolhas, chame um profissional que tenha o conhecimento de construções mais sustentáveis. Hoje em dia já podemos encontrar vários especialistas. Sorte a nossa!

Espero ter ajudado você a entender mais sobre como a qualidade do ar e as escolhas que fazemos pode interferir na saúde das pessoas e do meio ambiente!