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Varejo não consegue atender a procura por aparelhos de ar condicionado

  • 04 de fevereiro de 2013
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Varejo não consegue atender a procura por aparelhos de ar condicionadoÉ fato: durante 2012 foram registradas temperaturas recordes pelo mundo inteiro, destacando-se entre os mais quentes desde 1880. No Brasil não foi diferente. E para manter o mínimo de conforto, está valendo de tudo, seja ficar longe do sol, beber bastante água ao uso de ventiladores e aparelhos de climatização.

Até então, as condições climáticas e a queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os artigos de linha branca, fez com que a procura por ar condicionado aumentasse. Entretanto agora, graças a estes fatores, encontrar um ar condicionado à venda no varejo tornou-se uma tarefa difícil. As vendas cresceram tanto que não só as lojas, como os próprios fabricantes não estavam preparados para atender a demanda. E com o estoque em baixa, o consumidor acaba se deparando com um produto cada vez mais caro.

Mercado quente em diferentes regiões do país

Estoque das lojasEm Salvador (BA), os termômetros atingem freqüentemente os 30º. Até a venda de leques registrou aumento. No setor de climatização, o crescimento foi de 20% segundo a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas da Bahia (FCDL-BA). Durante o mês de Dezembro, uma loja da capital afirmou que, em uma semana com temperatura alta, cerca de 200 unidades foram vendidas. Em janeiro, a procura foi estabilizada, sendo comercializados em média 120 condicionadores de ar semanalmente. No varejo, os produtos tiveram um aumento de quase 25%, sendo que a diferença dos preços entre uma loja e outra pode chegar a 30%.

Em Foz do Iguaçu (PA), a maioria das lojas está com os aparelhos de ar condicionado em falta, restando apenas os produtos do mostruário. Em entrevista ao Paraná TV, uma comerciante afirmou que a previsão dada pelas fábricas é para o final de fevereiro.

Já no Rio de Janeiro, as vendas foram ainda maiores. Dados fornecidos pelo Grupo Pão de Açúcar mostram que a procura por condicionadores de ar chegou a 257% somente na Rede Extra, comparando os três últimos meses de 2012 com o mesmo período no ano anterior.

Nos três estados citados, tanto para instalação quanto para manutenção a procura é grande. Várias assistências estão fazendo a manutenção de até cinco aparelhos por dia. Por isso, os instaladores destacam a importância de limpar os filtros do aparelho e realizar a manutenção preventiva. “A manutenção no inverno é melhor tanto para nós quanto para o cliente, pois quase não temos trabalho e o preço acaba ficando mais em conta”, afirma um instalador do Rio de Janeiro.

Motivos para o estoque baixo

Uma grande rede de eletrodomésticos, por exemplo, reclama que, por não conseguir repor o estoque, perderam a oportunidade de lucrar ainda mais: “O varejo não esperava uma demanda tão forte”, diz uma das fontes em entrevista ao Estadão. Por este motivo, o setor estaria deixando de atender em média 40% das encomendas.

O motivo, segundo os fabricantes, é que estão faltando peças importadas, que já deveriam ter chegado. De acordo com o gerente de compras das Lojas Colombo, a indústria fala que o número de peças de split em falta nesta temporada pode chegar a 500 mil. “O governo incentivou o consumo, mas a indústria não estava preparada para o aumento da demanda”, afirma o executivo.

(In) grata surpresa

Vendas de ar condicionadoSegundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Material Elétrico, Eletrônicos e Eletrodomésticos do Rio de Janeiro (Simerj), Antônio Florência de Queiroz, a grande procura por aparelhos de climatização acabou pegando o comércio de “surpresa”, o que explicaria a falta de produtos nas lojas. Ele garante que a intenção de compra para o aparelho é a maior para o período desde 2009.

De acordo com o presidente da Associação nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos, o comércio se baseia nas vendas do verão anterior para realizarem as encomendas e por isso acabam ficando sem estoque. Deste modo, os pedidos para janeiro, realizadas em setembro, foram programadas levando em conta um início de ano sem calor em excesso. Como o cenário apresentado é outro, com um calor intenso nas últimas semanas, o tempo de entrega da indústria varia de 30 a 40 dias.

A questão do IPI

IPI e o valor do ar condicionadoConsiderado uma das ações que reativou o consumo, a manutenção da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos eletrodomésticos da linha branca fez com que as vendas crescessem além da expectativa do mercado. No entanto, desde o dia 1º de fevereiro a percentagem do IPI não só para artigos da linha branca, imóveis entre outros foram recompostos. Ou seja, com a taxa voltando ao normal, o imposto sob as vendas de aparelho de ar condicionado subiu para 35%. Portanto sim, o ar condicionado está mais caro.

Em um pronunciamento realizada em dezembro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, informou que a prorrogação do IPI reduzido faria o governo deixar de arrecadar R$ 3,263 bilhões, sendo que R$ 550 milhões se referem à desoneração dos produtos da linha branca. Até julho, serão cobradas alíquotas intermediárias, voltando depois ao valor normal.

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