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Portugal passa quatro dias apenas com energias renováveis

  • 08 de junho de 2016
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No mês de maio, Portugal conseguiu algo inédito. Por 107 horas, pouco mais de quatro dias, o país conseguiu manter toda a eletricidade assegurada somente por energias renováveis: éolica, solar e hidrelétrica. De acordo com o secretário-geral da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (Apren), José Madeiros Pinto, durante o período, 58% desse consumo foi garantido pela energia eólica. 

Fazer com que um país com cerca de 10 milhões de pessoas funcione sem nenhum tipo de combustível fóssil é uma marca interessante. Mais inspirador que o feito em si, talvez seja analisar o quanto Portugal tem diversificado suas matrizes energéticas nos últimos anos. 

O país, já no final dos anos 80, havia construído uma enorme plataforma de produção de energia em que o principal combustível era o carvão. No entanto, a escolha pelo carvão, altamente poluente, levou o país a ocupar o 27º lugar entre os 30 mais poluentes da Europa, segundo o site Energia em Portugal, portal de pesquisa e informações sobre o setor energético no país. 

Já a política energética da primeira década dos anos 2000 foi marcada por investimentos significativos em fontes de energias renováveis. A multiplicação de parques eólicos pelo país é resultado desse posicionamento adotado por Portugal. “Na época, a energia renovável que tinha maior potencial e se via com melhor futuro era a eólica, que vem crescendo de maneira sustentável e gradual. Foi ela [energia eólica] que deu o aporte para que conseguíssemos ter, de fato, muitos dias em que a produção renovável excedesse as necessidades de consumo”, afirmou Madeiros Pinto.

Meta em jogo
Com o feito, Portugal tem um longo desafio pela frente: atingir a meta, no âmbito das diretrizes da União Europeia, de aumentar o peso das energias renováveis de 20,5%, em 2005, para 31% em 2020. Trata-se de um objetivo amplo, e para o secretário, as áreas de aquecimento e arrefecimento e transportes, que deveriam contribuir para esse objetivo, não têm avançado muito.

“Estamos muito atrasados em aplicar energia renovável na área do aquecimento. Os transportes estão na casa dos 5% em percentual de renovável, com os biocombustíveis. Na parte elétrica, que é o nosso setor, estamos com 52% de renovável e temos que chegar aos 60%. Julgamos que não vai ser possível alcançar, mas não ficaremos longe”, disse.

Atualmente, a produção de energia hídrica cobre entre 25% e 28% do consumo final de energia elétrica, e a média anual da eólica está em cerca de 25%. Além disso, a energia solar ainda está dando os primeiros passos no país. “Embora tenhamos na zona sul um bom potencial solar, isso está muito pouco desenvolvido e não representa mais que 1% ou 1,5% das nossas necessidades”, finaliza Madeiros Pinto.

E agora, será que a meta vai ser atingida?

Redação do Portal WebArCondicionado

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