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Ônibus com Ar-condicionado podem ter tarifa diferente dos veículos sem climatização no Rio de Janeiro

  • 13 de março de 2018
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Foto: Luciano Belford - agência O Dia

Você acha justo cobrar tarifas diferentes entre ônibus com e sem ar-condicionado? Para acabar com o impasse sobre o valor das passagens nos transportes públicos, a Prefeitura do Rio de Janeiro propôs na semana passada que o valor cobrado nos ônibus sejam diferentes em veículos com ar-condicionado. Aumentando a tarifa dos veículos com sistema de refrigeração (chamados popularmente de “frescão”), o prefeito Marcelo Crivella espera valorizar as empresas que investiram na sua frota, forçando também que elas continuem a climatizar todos os seus carros.

Entretanto, a proposta não foi bem recebida. Segundo Armando de Souza, Presidente da Comissão de Trânsito da OAB-RJ, a medida seria um retrocesso nos direitos conseguidos pelos passageiros, pois iria afetar mais os cidadãos que não podem pagar um valor mais alto por um conforto maior, excluindo a população de baixa renda. Ele reforçou que o direito a um transporte confortável e seguro é assegurado pelo código de trânsito brasileiro.

Armando também aponta que numa cidade com o clima do Rio de Janeiro, o ar-condicionado deveria ser obrigatório em todos transportes públicos, visando o conforto dos passageiros e dos motoristas e cobradores que trabalham nessas condições. Além disso, relembra que a climatização completa das frotas era uma das metas pré-Copa do Mundo de 2014.

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Sindicato é contra a proposta de ajuste na tarifa

Já o sindicato da categoria, o Rio Ônibus, emitiu uma nota denunciando que a proposta não foi oficialmente apresentada à entidade, e que ainda por cima a ideia descaracteriza a política tarifária implementada em 2013, o chamado Bilhete Único Carioca (BUC). A política define um valor único para todos os transportes públicos municipais, além de garantir o uso de duas linhas de ônibus pelo valor de uma única passagem, desde que dentro do intervalo de no máximo duas horas e meia – um recurso que seria prejudicado pela diferenciação de valores.

O sindicato também disse que a ideia do governo municipal vai, na verdade, agravar a situação financeira das empresas de transporte público, e não incentivá-las a investir mais. Em resposta à recepção da proposta, a Prefeitura do Rio mandou analisar o sistema de monitoramento das empresas e levantou dados sobre os veículos em operação na cidade, identificando desfalques em algumas frotas. Na última sexta-feira (dia 9 de março), Crivella declarou então que as empresas têm um mês para regularizar a situação, sob pena de perder todos os contratos com o município – o que forçaria a Prefeitura a abrir novas licitações.

Atualmente a tarifa na cidade do Rio de Janeiro é de R$ 3,60. Apesar das contraditórias, Marcelo Crivella diz que vai manter o plano de aumentar apenas a tarifa dos ônibus climatizados, de acordo com o reajuste regulado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Não é a primeira vez que o governo municipal do Rio diferencia o valor das passagens, que antes de 1993 costumavam ter até sete variações dentro da cidade, de acordo com o tamanho do percurso da linha. Entre 1995 e 1996, porém, as tarifas voltaram a sofrer com a disparidade de preços com a inclusão dos veículos climatizados. Só em 2013 é que o valor foi reajustado uniformemente de novo.

Você acha que retomar a diferença do valor das passagens é uma boa solução?

Redação do Portal WebArCondicionado.

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