*Por Jairo Bertoni

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Hoje, aparentemente estamos no caminho certo, só que muito vagarosamente. É preciso ter contemporaneidade para perceber o que temos em mãos e projetar, aplicar e ensinar o próprio mercado. Para continuar a ser e ter, é preciso descontinuar e reinventar o “modus operandi”.

Se antes tínhamos entraves tecnológicos, agora já podemos pensar para além da energia eólica, solare por biomassa, chegando até na energia oceânica, por exemplo. Em refrigeração, minha área, qualquer forma de tecnologia renovável é imprescindível pois aumenta a diversidade de fontes de energia e se levarmos em conta apenas a matriz elétrica, em quatro décadas, 92% da eletricidade no Brasil pode ser limpa. Pode, mas será?

O futuro está sendo escrito com esta ideia de matriz energética limpa e com relação à energia solar (principalmente), o Brasil tem absolutamente tudo para comandar este cenário de horizonte renovável, já que é um dos primeiros países em incidência solar anual, além de ter alumínio, cobre, silício, aço e vidro, matérias primas utilizadas na fabricação dos equipamentos necessários.
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Edifício Gherkin, em Londres, projetado por Norman Foster, gasta metade da energia consumida por um edifício de mesmo porte.

Hoje, já está se dando a implantação dessas novas tecnologias em edifícios de grandes e médias cidades do país, onde placas são utilizadas como um novo tipo de receptor solar que pode cobrir as fachadas. Quando colocado em janelas que recebem sol, capta a luz e a transforma em energia, sem obstruir a visão. Esse dispositivo se adapta a qualquer janela e espaço vertical, usa energia renovável, pode aumentar a eficiência tecnológica com recuperação de calor a partir de processos de resfriamento e é transparente! Imagina um edifício autossuficiente em produção de energia, onde toda a cadeia do frio e do conforto usará a luz do sol, ou seja, energia fotovoltaica captada através de lâminas solares.

Fora o apelo socioambiental, esse processo prima por transpor a barreira do limitado para a liberdade do renovável, mudando a linguagem poluente e restritiva dos recursos finitos, sem provocar poluição visual. Nesse caso, a energia captada do sol é a mesma energia que será usada para aliviar o seu impacto sobre as pessoas, numa atitude eco eficiente.

Se a saída é conciliar crescimento econômico com preservação do ecossistema, por que não usar o sol, o vento, o manancial hidrológico, as ondas e marés para dar flexibilidade aos sistemas de energia e aumentar nossas chances de futuro? Fica a reflexão.